Presidente do Bancoob faz palestra na Casa do Cooperativismo Paulista

O Workshop de Crédito da Sicoob Central Cecresp foi realizado na última quinta-feira, 17/8, na Casa do Cooperativismo Paulista. O evento reuniu cerca de 80 participantes de 41 cooperativas associadas à central para um dia inteiro de palestras, apresentação de cases e debates sobre o mercado financeiro, cenário macroeconômico e gestão de riscos.

De acordo com a responsável pela área de crédito da Cecresp, Camila Piccinim, foi o primeiro evento desse tipo realizado pela Central, que atende a mais de 130 cooperativas associadas. “Nada mais justo falar sobre o crédito, que é o core business das cooperativas, diante desse cenário de instabilidade econômica, de forte concorrência das cinco maiores instituições bancárias e de crescimento do cooperativismo de crédito do país.

Segundo Camila, mais de 90% dos participantes demonstraram satisfação com o evento, resultado que na visão dela se deve à qualidade das palestras apresentadas. “Tivemos bastante cuidado na escolha dos palestrantes nesse primeiro evento. A ideia é realizar pelo menos um evento desse tipo por ano, com temas e cases cada vez mais diversificados”, enfatiza.

A palestra de abertura, “Mercado financeiro versus Universo Cooperativista e suas perspectivas”, foi realizada pelo diretor-presidente do Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob), Marco Aurélio Almada. Em seguida, foi apresentada palestra do economista-chefe da Serasa Experian, Luiz Rabi, que falou sobre as perspectivas no cenário macroeconômico, abordando as causas e os efeitos da atual crise fiscal no negócio das cooperativas.

Em sua apresentação, o executivo-chefe do Bancoob discorreu sobre os diferenciais do cooperativismo financeiro em relação ao mercado de crédito bancário. Na opinião de Almada, o mercado de crédito no Brasil tem muitas peculiaridades, “tanto que alguns bancos internacionais que operam bem o crédito em outros países, desistiram de atuar no Brasil”.

Veja a seguir os comentários do dirigente sobre os aspectos desse mercado que mais impactam o dia a dia das cooperativas.

CENÁRIO ECONÔMICO

“Nós vivemos num país complexo que ainda não consegue administrar a economia de maneira estável. O crédito no Brasil não pode ter muito longo prazo porque os juros compostos explodem o saldo devedor, mas não dá para baixar o spread bancário por decreto. Quem tentou se deu mal.”

TRIBUTAÇÃO

“O custo tributário influencia bastante na questão. Se cai o custo de captação, é possível reduzir o spread.”

INADIMPLÊNCIA

“Também é necessário reduzir a inadimplência, pois não há segurança jurídica para retomar valores não pagos no Brasil. No ambiente de insegurança jurídica, é natural que a inadimplência aumente.”

LUCRO DOS BANCOS

“Não adianta baixar spread, baixar imposto, melhorar condições jurídicas se o banqueiro continuar guloso. É preciso baixar a margem de lucro do banqueiro. Para isso é preciso aumentar a competividade do sistema financeiro.”

COOPERATIVISMO DE CRÉDITO

“A maior parte das cooperativas de crédito brasileiras têm menos de 30 anos. E as cooperativas têm desafios de toda a ordem: crescer, profissionalizar e tecnificar, sem perder o propósito e a vocação cooperativista. No agregado, o nosso propósito é gerar justiça financeira no país. Para que o propósito gere essa transformação é preciso que ele também gere receita, porque alguém tem que pagar a conta.”

ESTRATÉGIA

“Nossa fórmula é ter propósito mais tecnologia mais produtos e serviços. Cooperativa cresce quando ela ocupa lacunas do mercado. Quando o mercado é caro, atende mal ou não tem atendimento, o cooperativismo cresce. Porque não adianta o cooperativismo ser bom para o país se ele não for bom para o associado.”

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