Crédito para o futuro

No Brasil, há 8,9 milhões de pessoas associadas a cooperativas de crédito, de acordo com o Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo do Banco Central, divulgado em 2017. São agricultores, profissionais liberais, servidores públicos, cidadãos e famílias que escolheram o cooperativismo para realizar sonhos, seja por meio de investimentos, financiamentos ou demais serviços financeiros.

Esse potencial de realização é abordado no tema do Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito de 2017: “Sonhos prosperam aqui”, definido pelo Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (WOCCU) e divulgado no Brasil pela Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), em parceria com o Sistema OCB. A data é comemorada todos os anos da terceira quinta-feira de outubro.

Afinal, o que os principais sistemas de crédito cooperativo brasileiros estão fazendo para realizar os sonhos dos cooperados, em um cenário marcado pelo desenvolvimento de novas tecnologias e pelo surgimento das chamadas “fintechs” no mercado de produtos financeiros? Como a inovação pode contribuir para aumentar a produtividade, a competividade e a sustentabilidade das cooperativas na era digital?

Essas são as questões que o Sescoop/SP e o Conselho Consultivo Estadual do Ramo Crédito (Ceco/SP) estão buscando responder por meio de um esforço conjunto, em que são levadas em consideração as necessidades das próprias cooperativas. Foram elas que fomentaram o debate sobre a importância da digitalização e da inovação no cooperativismo financeiro, tema que marcou o último Encontro de Dirigentes do Cooperativismo de Crédito Paulista, realizado em Ribeirão Preto no mês de agosto.

Embora sejam tradicionais e conservadoras em alguns aspectos, as cooperativas de crédito não estão alheias às transformações recentes no sistema financeiro. Para o presidente da Sicoob Central Unimais e membro do Ceco/SP, Armando Fornari, há uma mudança em curso, que passa pela necessidade de as cooperativas dialogarem com as novas gerações, que exigem facilidade, agilidade e conectividade. Na opinião dele, a questão passa também pela necessidade de mais proximidade com os cooperados, seja por meio de canais digitais ou de atendimentos presenciais.

Armando Fornari – Presidente de Cooperativa

Para o Sicredi, instituição financeira cooperativa centenária que passou por um processo de renovação da marca corporativa recentemente, culminando no lançamento de uma nova campanha institucional e de uma nova identidade visual, essa busca pela inovação passa também pela transformação da cultura organizacional. O líder de Transformação Digital do Sicredi Confederação, Tiago Nicolaidis é o profissional que dirige os esforços nessa direção.

Ele acredita que é preciso quebrar modelos mais antigos para promover a inovação, não apenas no ramo Crédito, mas em todos os ramos do cooperativismo. Na visão do executivo, o modelo cooperativista já sai na frente porque tem um propósito claro, que é um dos três elementos fundamentais que compõem um ambiente propício à inovação.

Tiago Nicolaidis – Líder de Transformação Digital

Além de conectar o cooperativismo aos novos tempos, a necessidade de inovar também passa pela razão de existir das cooperativas, ou seja, pela satisfação das necessidades dos cooperados. É para eles que todas as transformações digitais devem gerar um saldo positivo, seja na oferta de produtos e serviços mais inteligentes ou na busca de um relacionamento mais efetivo com a instituição por meio das novas tecnologias.

A estratégia digital do Banco Cooperativo Bancoob, instituição financeira vinculada ao Sistema Sicoob, passa por essas duas vertentes, com foco em oferecer mais mobilidade nas transações financeiras. De acordo com o diretor de Meios Eletrônicos de Pagamento, Marcos Borges, os canais digitais não substituem as agências físicas, mas as complementam.

Desse modo, o Sicoob não deixa de investir na ampliação da presença territorial, nem descarta a abertura de novas agências em mercados com potencial de crescimento. Atualmente, a rede de atendimento do Sicoob tem cerca de 2,5 mil pontos de atendimento. No total, as cooperativas dispõem de mais de 4,6 mil pontos de atendimento no Brasil.

Marcos Borges – Diretor de Meios Eletrônicos

Responder rapidamente às mudanças que a tecnologia demanda na relação com os cooperados é apenas o começo. Embora o cooperativismo seja inovador na essência, ao propor um modelo que não visa ao lucro, o surgimento das chamadas “fintechs” mostra que ainda há novos espaços e possibilidades a serem explorados. De acordo com a consultoria FintechLab, “as fintechs são empresas ou iniciativas que fazem uso intensivo de tecnologia e entregam novos modelos de negócios em serviços financeiros”.

Essas empresas, também chamadas de startups, surgiram focadas em facilitar e melhorar ainda mais a experiência dos clientes do sistema financeiro por meio de plataformas digitais. Além disso, trabalham com estruturas mais enxutas e inteligentes, sem agências físicas ou atendimento presencial, que permitem um custo operacional menor. Essa economia é repassada ao consumidor, seja por meio da gratuidade de tarifas ou de taxas de juros mais competitivas.

A Creditas é um dos exemplos de fintechs brasileiras, criadas nos últimos quatro anos, que revolucionaram o mercado financeiro no país. De acordo com o VP de Desenvolvimento de Negócios, Felipe Zullino, o objetivo da fintech é “diminuir os juros e mudar a estrutura de endividamento do brasileiro, através da disseminação do crédito com garantia”. A fintech oferece empréstimos com taxas a partir de 1,15% e prazo de até 120 meses para pagamento.

Esse modelo de negócio inovador, que demonstra ser bastante vantajoso para o cliente e também para a instituição financeira, causou inquietação ao ser apresentado por Zullino aos dirigentes das cooperativas de crédito paulistas. Até porque, em certa medida, as fintechs também disputam mercado com as cooperativas. Porém, elas não podem e não devem ser ignoradas, uma vez que até mesmo os grandes bancos tentam enxergar o futuro através dessas jovens concorrentes. Pelo que tudo indica, as cooperativas também estão prontas para olhar adiante.

Felipe Zullino – VP da fintech Creditas

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  1. Posted by Miguel Affonso Gentile

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